Quinta-feira, 28 de Abril de 2011
O Prodígio

Regra geral, podemos afirmar que todas as acções que consagramos à nossa vida quotidiana dentro da rede de interesses que, de muitos modos, nos absorvem e tecem o nosso viver, nos aparecem impregnadas de sentido. E com essa ilusão de que todas as nossas acções são pautadas por um saudável objectivo, desprezamos a ideia de que fomos condicionados, através da promessa de várias compensações e vantagens, para que adoptemos uma estabelecida forma de pensar e de comportamento. Logo que essas regras morais, esses valores veiculados pela sociedade e toda a educação que auferimos através de processos mecanicistas, se tornam um hábito, instinto ou paixão, estamos aptos para contribuir para o bem geral da comunidade ou para uma homeostasia global, mas numa ultima instância operamos para a nossa própria desvantagem. Ao abraçarmos cegamente os pensamentos e sonhos alheios, as convenções estáticas de uma determinada sociedade aniquilamos o robusto individualismo, o uno que permite criar, aquele que é generoso para com todas as espécies que se lhe apresentam como independentes da sua própria singularidade sendo indiferente a forma como esse ser se lhe materializa…aquele que se revolta contra as injustiças, o individuo que não permite que um outro ideologicamente, intelectualmente ou estrategicamente mais fraco, decida o seu próprio rumo, o seu futuro e tão pouco se verga perante as barreiras que esse diminuto ser lhe impõe…continua.



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Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009
Mesiha ou o absoluto prodígio

 

Vi um estranho homem, tomava um introspectivo café, e a cada trago do convencional estimulante saboreava a sua própria mortalidade, não que tivesse atingido aquela etapa da sua vida em que é um imperativo fazer um balanço de tudo o que se alcançou ou ficou por atingir, mas simplesmente o seu espírito foi fecundado por uma fértil melancolia.

Com a finitude da sua existência presente na sua mente o estranho homem tornou-se uno consigo próprio, como não o fazia há muito tempo, não se prendeu a nenhum ídolo, a nenhum ideal...naquele instante sem se aperceber beijou o seu real propósito, saboreou aquele café como devia saborear a sua existência, sem subterfúgios, eufemismos, evasões ou juízos de qualquer tipo. Aquele fugaz café que se dissipará num golo ainda lhe aquece o espírito, ainda lhe acalma a ansiedade, ainda o entretém, e o estranho homem não se preocupa que está a um golo de o terminar...pois ainda lhe restam quatro golos de vida.

 

Por convenção ficou estípulado que daqui por quatro dias celebra-se o nascimento d'O Consagrado, o filho de Deus, ou um profeta escatológico que disse as coisas certas na altura exacta...poderemos implorar e orar para que volte a assumir uma forma palpável e nos salve, ou podemos a nível individual pegar no seu legado e sair da Idade Média na qual coninuamos encarcerados, não obstante isso desejo-te um feliz Natal, estejas onde estiveres, sejas o que fores na vida...o que aprendi é que com um pouco de fé e esperança existe sempre uma hipótesse de derrotarmos o impossível.



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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Númeno

 

Esta noite gostaria de redigir algo de extrínseco à minha corrompida visão do Mundo em geral…estimaria ter a destreza conceptual de um poeta e expiar através das palavras este remoinho emocional que me deturpa o discernimento, apreciaria libertar-me de tudo aquilo que me foi embutido, nem que por um instante, e apreciar uma realidade translúcida, intemporal e absoluta.
 Simplesmente agora gostava de não ser eu, pois eu maço-me com o meu espírito derrotista, com a minha constante ânsia ao sentir cada lufada de oxigénio invadir as minhas veias e garantir que continuarei a ser…eu.
Passaram dez anos de um ano qualquer, dez anos que se consumiram explosivamente mas que não se traduzem em algo mais do que um fugaz traço mnésico que persiste em ilustrar aquilo que sou…aquilo em que me tornei.
Se nada disto faz sentido, de pouco importa…pois o que sou eu sem um propósito, que não uma longínqua miragem que vislumbras.


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Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
Hipocampo

 

É unicamente através de uma perda que a autêntica profundidade de um laço é verdadeiramente sentida…e aquilo que perdemos se torna uma fracção maior em nós do que alguma vez teria sido permissível enquanto esteve fisicamente a nosso lado.
Não estou capacitado para evocar aquilo que fui, aquilo que fiz, até ter partilhado contigo o mesmo espaço e tempo…talvez porque o nosso espírito não guarda o tempo, meramente recorda o crescimento.  
Cada milímetro que percorro nestes 450 quilómetros que nos separam após o nosso último beijo é sentido como uma amolada faca que selvaticamente me recorta o coração, as doces melodias que masoquistamente liberto no habitáculo do carro excitam toda a angústia por ter de repetidamente deixar o calor com que a tua querida presença me brinda, e a cor do alcatrão que me transporta para o hiato existencial converte-se na minha cor.
Sem o frio e as trevas de uma chuvosa noite não é possível regozijarmo-nos numa amena aurora de Agosto, sem o estigma da escravidão a Liberdade não é tão agraciada e desejada…o zeloso Bem é implorado ante a presença do mal…
mas sem ti nunca aqueci a alma numa alvorada de Verão, não havia saboreado a liberdade até ter sentido o teu terno toque no meu braço…foi impossível até então sentir a magia do Bem.
Estes quilómetros que nos separam e que uma vez nos fortaleceram, e revelaram a Verdade, agora não operam mais realidade alguma do que nos enfraquecer …


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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Reminiscência

 

Tu que resultas da conexão entre o palpável e o transcendental, tu que com os pés bem assentes na terra administras o teu olhar para o Infinito, tu que vens das estrelas mas censuras o seu imenso brilho, tu que reproduzes nos teus olhos a imensa Glória de Deus e os deslocas para o humilho do solo, tu que te inseres numa multidão ignorando que apenas não podes ficar entregue à tua mercê, tu que experimentas o paradoxo de nascer para “simplesmente” desaparecer…um dia. Tu que atravessas a vida na obscuridade daquilo que transportas no teu âmago, tu que queres o Mundo servido numa bandeja de prata para cabalmente o arrumares num canto empoeirado do teu real aposento.
Tu que com os teus calibrados olhos mensuras cada passo meu, tu que anseias que eu falhe, quando um dia agoniaste para eu saborear o sacarino da vitória.
Tu que representas o que eu poderia um dia ter sido, aquilo que fui, o que um dia poderei ser…ou fatalmente não, e diverges de mim como um rio do seu leito. Tu que estás coberto pelo mesmo manto vital que eu, e não suportas o reduzido calor que emito neste clima glacial.
Tu que és o verdadeiro prodígio…e eu…
 
Bolas, não era bem isto.


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Domingo, 31 de Maio de 2009
Dezanove minutos.

 

Tal como todos nós sabemos tudo o que tem uma génese tem por oposição o seu fatídico antagónico, por essa razão este blog sairá do grande destaque do sapo e regressará à penumbra do claustrofóbico anonimato. Aproveitando para queimar os últimos cartuchos gostaria de lançar um repto. Desafio a qualquer visitante que em forma de comentário adopte uma frase solta, um parágrafo de qualquer artigo deste blog que particularmente lhe tenha tocado, aceito críticas mas deixem a vossa marca. Até um dia , obrigado pelas visitas e voltem sempre, asseguro que o Utopic World continuará a evoluir.


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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
Not so good

 

Ao 559º dia o Utopic World abandonou a penumbra a que estava votado, no anonimato que a internet confere e deixando perplexo o seu autor foi agraciado com um destaque. Duvido que este espaço seja digno de tal honra, na verdade não é um blog direccionado para o mainstream, e raras vezes demonstrou despertar a atenção aos visitantes. Sinto-me honrado, estou extremamente grato à equipa dos Blogs Sapo, e agradeço à pessoa que me inspirou com todo o seu amor. Fiju.
Obrigado a todos os visitantes que acederam a este blog, e deixem algum feedback por favor :D. Obrigado.

sinto-me: perplexo

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Domingo, 5 de Abril de 2009
Posso fazer-te uma pergunta?

Olho pela janela e vejo todas estas pessoas normais a passarem...é engraçado, eu nunca me considerei normal em toda a minha vida, pelo menos que me recorde, quer dizer normal como as outras pessoas, de alguma forma sinto-me diferente, como se não estivesse à altura dos padrões exigidos para se ser considerado normal. Desde que me consigo recordar que transporto este sentimento de medo, a minhas entranhas reflectem essa minha imperecível angústia. Eu olho para as pessoas, eu vejo as pessoas e eu penso, estão tão felizes e sentem-se tão à vontade uns com os outros, discutem os mais variados temas, partilham segredos, apaixonam-se, abraçam-se revelam companheirismo...e eu assisto a tudo isso do exterior, olho de fora para dentro, demasiado assustado por pensar que muito provávelmente não serei aceite.

 

Acolheste-me no teu Mundo quando há muito tempo eu havia desistido de me tentar integrar, a minha fragilidade e insegurança repetiram-me  até aos limites da parca sanidade que ainda sobrevivia em mim que eu não te merecia, que eu não podia partilhar momentos tão mágicos com a pessoa mais especial que alguma vez saboreou o oxigénio neste planeta, e em todos os outros. A tua força não permitiu que eu desistisse sem oferecer resistência, a tua paciência e perseverança liminarmente aplacaram todos os meus complexos de inferioridade, e pela primeira vez na vida senti que a vida não era um absurdo, uma paixão inútil, aprendi que a felicidade afinal não me estava vedada, não era aquele local quimérico com o qual fantasiava nas noites em que me permitia a mim próprio sonhar e que não havia nenhum problema em sentir-me feliz.

Nunca te conseguirei recompensar, mas garanto-te uma coisa, o teu esforço não foi em vão ainda que algumas vezes eu pareça estar a cair.

 

Amo-te tanto!

 

 

 


música: T.I. Ft Justin Timberlake - Dead and Gone

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Domingo, 29 de Março de 2009
Tanatofobia

Nunca pretendi escrever um artigo que comovesse um leitor que fosse, nunca aspirei seduzir ninguém com parágrafos artificialmente cuidados ou palavras inconvinientemente onerosas, nunca foi minha cupidez merecer um destaque do batráquio (palavra inconvinientemente cara) ou sequer pretendi ser levado a sério. Não sonharia sequer ultrapassar as mil visitas...e foi este último pormenor que pela primeira vez cativou a minha atenção. Desde que escolhi colocar os meus pensamentos acessíveis a qualquer solitário internauta que por azar seja direccionado para este blog nunca me havia realmente tocado que os meus delírios pudessem por um simples segundo transportar um desconhecido ao meu mundo particular, pelo menos aqueles que me dignam com uma leitura atenta.

A exemplo de todos os que por aqui passam eu resulto de uma vasta rede de reforços, bloqueios, inibições, estímulos. Sejam eles provenientes do meio psicossocial ou culturais, genéticos ou educativos.

Lugares comuns mais ou menos científicos à parte, este artigo é sobre a escolha indivídual, e não vou entrar em discussões filosóficas ou mesmo multi-disciplinares sobre a liberdade de escolha, ou os condicionamentos operantes do comportamento humano, não irei reflectir sobre o binómio causa-efeito. Todos nós somos parecidos, somos de alguma forma programados para sermos como todos os outros, somos projectados para sermos como algumas pessoas e no entanto nunca nos alheiam o facto de que somos únicos.

E é na nossa unicidade que experimentamos o erro, esse marco em que todos os que nos rodeiam reparam, e é através do erro que encontramos a mais flagrante prova da liberdade de escolha que o ser-humano pode alguma vez saborear.

Essa liberdade torna-se visível quando optamos por não repetir o erro, quando aprendemos com ele ou mais importante ainda, quando o erro nos ensina algo e de facto praticamos aquilo que aprendemos, e embora isto possa parecer contraditório pois ao aprendermos com o erro estamos irrefutavelmente a ser condicionados pelo mesmo, mas a verdade é que nos foi legada a liberdade de o corrigir, de pautar as nossas acções pelo caminho certo.

Recentemente cometi ou melhor repeti um erro, erro em que insisti por mais do que duas ou três vezes, erro esse que apenas graças a uma intervenção Divina não me custou a vida e hipotecaria todos aqueles planos para o futuro, todos os sonhos que vim a seguir na tentativa de os matearilizar em realidade, um erro que ia arrastando consigo a própria felicidade daqueles a quem eu devo a minha Vida em si, não necessariamente apenas os meus fecundantes biológicos mas também àquela pessoa que recentemente me rescucitou, que pegou no que restava de mim e me resgatou do breu em que mergulhava a minha alma. Hipócritamente deixo aqui o testemunho de que se sobrevivemos a um erro devemos desse ponto em diante contorná-lo, não voltar a pisar essa linha, ao abraçarmos essa liberdade evoluímos como indivíduo e estaremos aptos para seguir para o nível seguinte, estaremos sem dúvida alguma mais próximos da útil felicidade.



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Domingo, 8 de Março de 2009
Torre do relógio

Olha-me nos olhos...não me digas o que vês agora!

Não faz mal o facto de estares assustado, também eu estou assustado, na verdade estou petrificado pelo medo.

Simplesmente estamos assustados por diferentes razões. Eu estou assustado por aquilo que não serei, por tudo aquilo que não consigo ser, enquanto tu tens medo daquilo em que me posso tornar...Olha bem para mim, eu não me permitirei acabar onde comecei, eu não desistirei no ponto de partida.

Eu reconheço o potencial que habita o meu ser, já provei a minha essência ...mesmo que ainda não o consigas ver ou o reconheças. Olha-me nos olhos, eu tenho algo muito mais importante que coragem ...eu sou paciente. Eu vou tornar-me aquilo que sei que sou.

 

Ou simplesmente posso estar errado.



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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
Ephemeroptera (ou devaneios de um gajo puto da vida)

 

 
Outro dia desprovido de qualquer realidade que a meus olhos se apresente como semelhante a  magia…minto, apesar da distância física que teima em separar-nos (a puta ) a nulidade do meu quotidiano é pintada com as mais vibrantes cores quando desloco o pensamento para ti, e para cada milésimo que partilhei contigo e pelos que partilharei.
E se tenho de ser forte, a verdade é que quebro facilmente sem ti, como seria possível não quebrar? Como seria possível a um cego que confrontado com uma saudável visão aceitar o trágico fado de não poder ver no dia seguinte?
Sistematicamente encontro o meu refúgio neste clone digital que surpreendentemente se transformou na minha pedra filosofal, pois é aqui que te encontro, que fortaleço laços contigo…é aqui que eu revejo eternas imagens captadas naquele efémero segundo mas cujas sensações transportarei para onde quer que os ventos do destino me empurrem, e para quando me for permitido transportá-las. Aconteceram, aconteci, aconteço e sequencialmente…
“Que se foda o beat, agora vou à cappella”…Desejava que aqueles seres malignos, que como primordial objectivo de vida se reflecte em foder o próximo, se apercebessem da estupidez e mediocridade das suas vidas, a nossa permanência aqui não tem passado nem futuro, apenas existe o aqui e o agora, a nossa percepção da passagem do tempo é deficiente, todos os acontecimentos se sucedem infinitamente na mesma altura, por essa razão, todo o vosso tempo gasto a tentar fazer dos meus dias mais negros é em vão, sou simplesmente intocável, reconheço o que realmente importa. O orgulho desmedido precede a queda, a humildade excessiva precipita a queda também, eu continuarei a andar enquanto os vossos olhos inquiridores me julgam...pois significam merda para mim!!!
Que porcaria de artigo, orfão do meu cunho pessoal mas enfim, sou livre de perder a postura de vez em quando...não liguem.


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Domingo, 8 de Fevereiro de 2009
Tradição...não, maus hábitos.

 

Estava a completar a arrumação à minha desgovernada e poeirenta estante, e tropecei neste texto de Eça de Queiroz que me foi revelado na minha nem sempre saudosa adolescência.
 
“ Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém são nulos a resolver as crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o Estadista. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?” (Eça de Queiroz, 1867 in “O distrito de Évora”)
 
 
Infelizmente há coisas que nunca mudam, e se a resposta à pergunta de Eça acabou por se revelar negativa, porque essa independência foi subjugada pelo regime ditatorial, impera agora que se repita a pergunta…


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Sábado, 7 de Fevereiro de 2009
Número de contribuinte


 

Pudesse eu escolher o lugar e época do meu nascimento…
 
“Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada…
 
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!...
 
Ó céu azul ­ o mesmo da minha infância ­,
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
 
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!”   (1923) Álvaro de Campos
 
…apesar de lutar para exorcizar certos espectros do passado, não me atreveria a mudar algo na minha vida, pois encontrei-te Ordem que nasceu do meu Caos.


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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009
Fracasso...

As situações limite ( aleatoriedade, culpa e insegurança) revelam o fracasso.

Que poderei eu fazer perante este fracasso absoluto a cuja intuição não me posso furtar uma vez que honestamente o apreendo?

O modo como sentimos o fracasso é decisivo, podemos não dar por ele, e no entanto, sermos invariávelmente dominados, ou apercebê-lo nitidamente, mantendo-o presente como fronteira permanente da nossa existência. O Homem pode recorrer a soluções e paliativos fantásticos ou aceitá-lo básicamente, calando-se perante o indecifrável.

Nas situações limite revela-se o nada ou torna-se sensível aquilo que autenticamente é.

Aquilo que não podemos controlar é um fracasso, e fracasso é aquilo sobre o qual levianamente perdemos o controlo. Por momentos de pura utopia, ou por uma pseudo-epifania o Homem poderá precepcionar momentos de glória ainda que efémeros...mas valerá a pena?


sinto-me:

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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008
Respiro

Já o conhecias, e aproveitei esta noite sem ti para o reler e postar no blog, sempre serve para aumentar o meu número de artigos .

Este é única e exclusivamente teu...obrigado amor, tenho saudades, muitas saudades.

 

 

 

 

Respiro

 

 

Antes do meu olhar se cruzar com o teu, princesa , nada era meu

Deambulei solitário pelos recônditos becos da minha mente,

nada significava coisa alguma.

Conheci salões pardacentos, túneis ignorados pelo luar.

fumo nauseabundo que envenenava os pulmões

ritmos frenéticos repetidos à exaustão, a uma entediante depauperação

Ondas que cruéis se despediam, e questões por responder escritas na areia.

Tudo estava vazio, morto, mudo estático, abandonado e votado à monotonia

Tudo era invariavelmente alheio

 

Tudo pertencia aos outros, contudo nada era de ninguém

Dias análogos perseguiam-se

Um atrás do outro, e outro atrás de outro…

uma altura em que o sol não aquecia

e a lua não inspirava os vocábulos que despejo nestas linhas

o quotidiano não permitia que qualquer magia se vislumbrasse

Até que a tua beleza e nobreza

de oferendas assoberbaram o Inverno

dia 26 de Janeiro, acho que sabes o ano

Desde então, em vão te tenta ocultar o horizonte

porque olham-me como os teus olhos as mais bonitas estrelas,

a tua suave fragrância carinhosamente despejada num cartão reconforta a minha alma

e as tuas doces palavras ecoam repetidamente no meu coração

a solidão errante que percorri até te encontrar…compreendo-a agora

Os dias fazem sentido porque me vi reflectido no teu olhar

os segundos são preenchidos agora que sei que és real,

o fruto da minha esperança materializou-se no teu toque

e o fluxo da minha vida desagua tranquila e apaixonadamente nos teus braços

O solstício de Junho já não passa por mim incógnito…

que se dane, até a própria vida tem valor e eu valor perante a vida

porque intrinsecamente eu amo-te e sou amado por ti

 

Nesta humilde tentativa de aproximar por palavras o que verdadeiramente significas para mim resumo tudo a... Amo-te C.                  Cláudio 24/09/07

 

 



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Domingo, 16 de Dezembro de 2007
Luz e sombra

Existem, ao longo desta nossa caminhada terrena, períodos em que crescemos lenta e pacificamente, sem grandes sobressaltos, mas porém sem grandes paixões. Mas há outros em que temos de dar saltos no escuro, fazer manobras arriscadas, deparar com muros intransponíveis. E são esses segundos momentos que nos impelem a crescer. De tempos a tempos, existem alturas em que obrigatóriamente somos forçados a confrontarmo-nos connosco próprios. E o melhor a fazer é não fugir a questões deste tipo: Até que ponto é que tudo isto que eu tenho, tudo isto que eu faço, tem mesmo a ver comigo? Até que ponto é que estou, de facto, satisfeito com a minha vida e sinto que merece realmente a pena ser como sou?

 

Pergunta-te a ti mesmo



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Sábado, 15 de Dezembro de 2007
O reflexo na água
São precisamente vinte e três horas, sábado à noite e uma temperatura excessivamente gélida lá fora. Deixo a mente vaguear livremente enquanto tento combater o tédio com uma aleatória e deficiente construção de frases na tentativa de surtir algum sentido…mas não, não será esta noite que me sentirei suficientemente inspirado para publicar um artigo.
Poderia refugiar-me no conselho da minha mentora do blog a Fiju, e dissertar sobre o tempo, mas qual o propósito? Todos falamos sobre o tempo mas ninguém faz nada quanto a isso, é como encaramos a política.
Esta noite sinto a tua falta, revejo mentalmente todas as noites frias em que te tive nos meus braços, aquece-me o espírito recordar-te a ti e ao teu angélico sorriso nas tardes solarengas e quentes deste último Verão, esta noite a exemplo de todas as outras sinto muito a tua falta.
O teu gentil toque, a confiança e segurança que a tua irradiante energia me garantem, e o teu angélico sorriso, acho que já o referi anteriormente mas tenho os sentimentos tão narcotizados que nem me darei ao trabalho de reler o que já escrevi, tudo isso me é tão querido e essencial que me custa a crer que eu tivesse existido, quanto mais vivido antes de te encontrar.
Assim continuo, como um dogmático ingénuo a aceitar o conhecimento espontâneo e sensorial sem colocar nada em causa, sem questionar o porquê de me sentir a definhar sem ti, o porquê de esperar que o vento do destino me empurre de novo para teus braços em lugar de largar tudo e correr para ti.
O melhor que em nós existe não é nosso. Não depende de avaliações, porque não resulta daquilo que sabemos, do que conquistamos e de que pudemos apropriar-nos.
É ao manter o coração aberto que os outros podem recebê-lo, e é daí que o melhor de nós mesmos sai, por si só.
O verdadeiro amor é algo que, ao transbordar, preenche os hiatos não porque o vazio o atraia, mas por ser inesgotável.
É através e apesar da nossa pequenez que podemos dar e receber algo de grandioso, de ilimitado, de infinito, de podermos tocar a face da Imortalidade.
Esta noite sinto a tua falta, assim como a sentia antes de te ter conhecido, de me vêr reflectido no teu olhar, muito antes de os meus lábios terem tocado os teus, antes de me ser permitido dizer-te o quanto te amo, e a mesma quando acordava após te ter abraçado nos meus mais harmoniosos sonhos.
Amo-te e agradeço-te…sabes?


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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007
Desculpas...desculpas
Após uma estreia não muito auspiciosa no mundo dos blogs, uma vez que, já passou praticamente um mês sem eu publicar um novo artigo, e os axónios e as dendrites dos meus neurónios não parecem querer resolver as altercações que subsistem entre ambos e declinam qualquer tipo de comunicação entre si garanto aos meus 3 visitantes que um novo artigo está para breve. Entretanto sugestões para um novo artigo são bem vindas. Enfim, quando um tipo é preguiçoso é preguiçoso.


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Sábado, 17 de Novembro de 2007
Intro:

Antes de qualquer introdução e apresentação a este novo blog, quero agradecer publicamente à Fiju do mundo faz de conta pela sua total disponibilidade em ajudar-me (na realidade fez o trabalho todo) na sua concretização. Todo o mérito da personalização e configuração da página vai para ela, e tal só foi possível graças à sua extrema criatividade, generosa dedicação e enorme paciência para aturar o meu vincado amadorismo no que aos referidos itens diz respeito. Um grande bem-haja Fiju.

 

A principal motivação para eu tentar desenvolver um blog foi a necessidade de manter a massa encefálica activa, e tentar partilhar a minha condicionada, corrompida, mas consciente visão do mundo em que vivemos, e da sociedade que estamos a legar aos nossos filhos, e consequentemente obter algum feedback da vossa parte e quem sabe aprender bastante convosco, como por certo acontecerá.

Não elevarei muito a fasquia no que ao número de visitantes diz respeito, mas anseio que qualquer leitor ou pára-quedista do meu blog não sinta uma enorme urgência em verter pela via aérea a sua última refeição, caso isso não suceda é uma pequena vitória para mim.

Enquanto não escrevo um artigo novo recomendo que visitem o blog da Fiju, o qual me foi apresentado à 23 meses (como o tempo voa) pela própria e onde passei bons momentos de entretenimento, outros momentos de pura reflexão potenciada pelo seu apurado espírito crítico, mas basicamente merece ser visitado visto tratar-se de um blog genial escrito por uma pessoa divinal, a mais evoluída que tive a honra de conhecer.

 



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