Regra geral, podemos afirmar que todas as acções que consagramos à nossa vida quotidiana dentro da rede de interesses que, de muitos modos, nos absorvem e tecem o nosso viver, nos aparecem impregnadas de sentido. E com essa ilusão de que todas as nossas acções são pautadas por um saudável objectivo, desprezamos a ideia de que fomos condicionados, através da promessa de várias compensações e vantagens, para que adoptemos uma estabelecida forma de pensar e de comportamento. Logo que essas regras morais, esses valores veiculados pela sociedade e toda a educação que auferimos através de processos mecanicistas, se tornam um hábito, instinto ou paixão, estamos aptos para contribuir para o bem geral da comunidade ou para uma homeostasia global, mas numa ultima instância operamos para a nossa própria desvantagem. Ao abraçarmos cegamente os pensamentos e sonhos alheios, as convenções estáticas de uma determinada sociedade aniquilamos o robusto individualismo, o uno que permite criar, aquele que é generoso para com todas as espécies que se lhe apresentam como independentes da sua própria singularidade sendo indiferente a forma como esse ser se lhe materializa…aquele que se revolta contra as injustiças, o individuo que não permite que um outro ideologicamente, intelectualmente ou estrategicamente mais fraco, decida o seu próprio rumo, o seu futuro e tão pouco se verga perante as barreiras que esse diminuto ser lhe impõe…continua.
Vi um estranho homem, tomava um introspectivo café, e a cada trago do convencional estimulante saboreava a sua própria mortalidade, não que tivesse atingido aquela etapa da sua vida em que é um imperativo fazer um balanço de tudo o que se alcançou ou ficou por atingir, mas simplesmente o seu espírito foi fecundado por uma fértil melancolia.
Com a finitude da sua existência presente na sua mente o estranho homem tornou-se uno consigo próprio, como não o fazia há muito tempo, não se prendeu a nenhum ídolo, a nenhum ideal...naquele instante sem se aperceber beijou o seu real propósito, saboreou aquele café como devia saborear a sua existência, sem subterfúgios, eufemismos, evasões ou juízos de qualquer tipo. Aquele fugaz café que se dissipará num golo ainda lhe aquece o espírito, ainda lhe acalma a ansiedade, ainda o entretém, e o estranho homem não se preocupa que está a um golo de o terminar...pois ainda lhe restam quatro golos de vida.
Por convenção ficou estípulado que daqui por quatro dias celebra-se o nascimento d'O Consagrado, o filho de Deus, ou um profeta escatológico que disse as coisas certas na altura exacta...poderemos implorar e orar para que volte a assumir uma forma palpável e nos salve, ou podemos a nível individual pegar no seu legado e sair da Idade Média na qual coninuamos encarcerados, não obstante isso desejo-te um feliz Natal, estejas onde estiveres, sejas o que fores na vida...o que aprendi é que com um pouco de fé e esperança existe sempre uma hipótesse de derrotarmos o impossível.
Olho pela janela e vejo todas estas pessoas normais a passarem...é engraçado, eu nunca me considerei normal em toda a minha vida, pelo menos que me recorde, quer dizer normal como as outras pessoas, de alguma forma sinto-me diferente, como se não estivesse à altura dos padrões exigidos para se ser considerado normal. Desde que me consigo recordar que transporto este sentimento de medo, a minhas entranhas reflectem essa minha imperecível angústia. Eu olho para as pessoas, eu vejo as pessoas e eu penso, estão tão felizes e sentem-se tão à vontade uns com os outros, discutem os mais variados temas, partilham segredos, apaixonam-se, abraçam-se revelam companheirismo...e eu assisto a tudo isso do exterior, olho de fora para dentro, demasiado assustado por pensar que muito provávelmente não serei aceite.
Acolheste-me no teu Mundo quando há muito tempo eu havia desistido de me tentar integrar, a minha fragilidade e insegurança repetiram-me até aos limites da parca sanidade que ainda sobrevivia em mim que eu não te merecia, que eu não podia partilhar momentos tão mágicos com a pessoa mais especial que alguma vez saboreou o oxigénio neste planeta, e em todos os outros. A tua força não permitiu que eu desistisse sem oferecer resistência, a tua paciência e perseverança liminarmente aplacaram todos os meus complexos de inferioridade, e pela primeira vez na vida senti que a vida não era um absurdo, uma paixão inútil, aprendi que a felicidade afinal não me estava vedada, não era aquele local quimérico com o qual fantasiava nas noites em que me permitia a mim próprio sonhar e que não havia nenhum problema em sentir-me feliz.
Nunca te conseguirei recompensar, mas garanto-te uma coisa, o teu esforço não foi em vão ainda que algumas vezes eu pareça estar a cair.
Amo-te tanto!
Nunca pretendi escrever um artigo que comovesse um leitor que fosse, nunca aspirei seduzir ninguém com parágrafos artificialmente cuidados ou palavras inconvinientemente onerosas, nunca foi minha cupidez merecer um destaque do batráquio (palavra inconvinientemente cara) ou sequer pretendi ser levado a sério. Não sonharia sequer ultrapassar as mil visitas...e foi este último pormenor que pela primeira vez cativou a minha atenção. Desde que escolhi colocar os meus pensamentos acessíveis a qualquer solitário internauta que por azar seja direccionado para este blog nunca me havia realmente tocado que os meus delírios pudessem por um simples segundo transportar um desconhecido ao meu mundo particular, pelo menos aqueles que me dignam com uma leitura atenta.
A exemplo de todos os que por aqui passam eu resulto de uma vasta rede de reforços, bloqueios, inibições, estímulos. Sejam eles provenientes do meio psicossocial ou culturais, genéticos ou educativos.
Lugares comuns mais ou menos científicos à parte, este artigo é sobre a escolha indivídual, e não vou entrar em discussões filosóficas ou mesmo multi-disciplinares sobre a liberdade de escolha, ou os condicionamentos operantes do comportamento humano, não irei reflectir sobre o binómio causa-efeito. Todos nós somos parecidos, somos de alguma forma programados para sermos como todos os outros, somos projectados para sermos como algumas pessoas e no entanto nunca nos alheiam o facto de que somos únicos.
E é na nossa unicidade que experimentamos o erro, esse marco em que todos os que nos rodeiam reparam, e é através do erro que encontramos a mais flagrante prova da liberdade de escolha que o ser-humano pode alguma vez saborear.
Essa liberdade torna-se visível quando optamos por não repetir o erro, quando aprendemos com ele ou mais importante ainda, quando o erro nos ensina algo e de facto praticamos aquilo que aprendemos, e embora isto possa parecer contraditório pois ao aprendermos com o erro estamos irrefutavelmente a ser condicionados pelo mesmo, mas a verdade é que nos foi legada a liberdade de o corrigir, de pautar as nossas acções pelo caminho certo.
Recentemente cometi ou melhor repeti um erro, erro em que insisti por mais do que duas ou três vezes, erro esse que apenas graças a uma intervenção Divina não me custou a vida e hipotecaria todos aqueles planos para o futuro, todos os sonhos que vim a seguir na tentativa de os matearilizar em realidade, um erro que ia arrastando consigo a própria felicidade daqueles a quem eu devo a minha Vida em si, não necessariamente apenas os meus fecundantes biológicos mas também àquela pessoa que recentemente me rescucitou, que pegou no que restava de mim e me resgatou do breu em que mergulhava a minha alma. Hipócritamente deixo aqui o testemunho de que se sobrevivemos a um erro devemos desse ponto em diante contorná-lo, não voltar a pisar essa linha, ao abraçarmos essa liberdade evoluímos como indivíduo e estaremos aptos para seguir para o nível seguinte, estaremos sem dúvida alguma mais próximos da útil felicidade.
Olha-me nos olhos...não me digas o que vês agora!
Não faz mal o facto de estares assustado, também eu estou assustado, na verdade estou petrificado pelo medo.
Simplesmente estamos assustados por diferentes razões. Eu estou assustado por aquilo que não serei, por tudo aquilo que não consigo ser, enquanto tu tens medo daquilo em que me posso tornar...Olha bem para mim, eu não me permitirei acabar onde comecei, eu não desistirei no ponto de partida.
Eu reconheço o potencial que habita o meu ser, já provei a minha essência ...mesmo que ainda não o consigas ver ou o reconheças. Olha-me nos olhos, eu tenho algo muito mais importante que coragem ...eu sou paciente. Eu vou tornar-me aquilo que sei que sou.
Ou simplesmente posso estar errado.
As situações limite ( aleatoriedade, culpa e insegurança) revelam o fracasso.
Que poderei eu fazer perante este fracasso absoluto a cuja intuição não me posso furtar uma vez que honestamente o apreendo?
O modo como sentimos o fracasso é decisivo, podemos não dar por ele, e no entanto, sermos invariávelmente dominados, ou apercebê-lo nitidamente, mantendo-o presente como fronteira permanente da nossa existência. O Homem pode recorrer a soluções e paliativos fantásticos ou aceitá-lo básicamente, calando-se perante o indecifrável.
Nas situações limite revela-se o nada ou torna-se sensível aquilo que autenticamente é.
Aquilo que não podemos controlar é um fracasso, e fracasso é aquilo sobre o qual levianamente perdemos o controlo. Por momentos de pura utopia, ou por uma pseudo-epifania o Homem poderá precepcionar momentos de glória ainda que efémeros...mas valerá a pena?
Já o conhecias, e aproveitei esta noite sem ti para o reler e postar no blog, sempre serve para aumentar o meu número de artigos
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Este é única e exclusivamente teu...obrigado amor, tenho saudades, muitas saudades.
Respiro
Antes do meu olhar se cruzar com o teu, princesa , nada era meu
Deambulei solitário pelos recônditos becos da minha mente,
nada significava coisa alguma.
Conheci salões pardacentos, túneis ignorados pelo luar.
fumo nauseabundo que envenenava os pulmões
ritmos frenéticos repetidos à exaustão, a uma entediante depauperação
Ondas que cruéis se despediam, e questões por responder escritas na areia.
Tudo estava vazio, morto, mudo estático, abandonado e votado à monotonia
Tudo era invariavelmente alheio
Tudo pertencia aos outros, contudo nada era de ninguém
Dias análogos perseguiam-se
Um atrás do outro, e outro atrás de outro…
uma altura em que o sol não aquecia
e a lua não inspirava os vocábulos que despejo nestas linhas
o quotidiano não permitia que qualquer magia se vislumbrasse
Até que a tua beleza e nobreza
de oferendas assoberbaram o Inverno
dia 26 de Janeiro, acho que sabes o ano
Desde então, em vão te tenta ocultar o horizonte
porque olham-me como os teus olhos as mais bonitas estrelas,
a tua suave fragrância carinhosamente despejada num cartão reconforta a minha alma
e as tuas doces palavras ecoam repetidamente no meu coração
a solidão errante que percorri até te encontrar…compreendo-a agora
Os dias fazem sentido porque me vi reflectido no teu olhar
os segundos são preenchidos agora que sei que és real,
o fruto da minha esperança materializou-se no teu toque
e o fluxo da minha vida desagua tranquila e apaixonadamente nos teus braços
O solstício de Junho já não passa por mim incógnito…
que se dane, até a própria vida tem valor e eu valor perante a vida
porque intrinsecamente eu amo-te e sou amado por ti
Nesta humilde tentativa de aproximar por palavras o que verdadeiramente significas para mim resumo tudo a... Amo-te C. Cláudio 24/09/07
Existem, ao longo desta nossa caminhada terrena, períodos em que crescemos lenta e pacificamente, sem grandes sobressaltos, mas porém sem grandes paixões. Mas há outros em que temos de dar saltos no escuro, fazer manobras arriscadas, deparar com muros intransponíveis. E são esses segundos momentos que nos impelem a crescer. De tempos a tempos, existem alturas em que obrigatóriamente somos forçados a confrontarmo-nos connosco próprios. E o melhor a fazer é não fugir a questões deste tipo: Até que ponto é que tudo isto que eu tenho, tudo isto que eu faço, tem mesmo a ver comigo? Até que ponto é que estou, de facto, satisfeito com a minha vida e sinto que merece realmente a pena ser como sou?
Pergunta-te a ti mesmo
Antes de qualquer introdução e apresentação a este novo blog, quero agradecer publicamente à Fiju do mundo faz de conta pela sua total disponibilidade em ajudar-me (na realidade fez o trabalho todo) na sua concretização. Todo o mérito da personalização e configuração da página vai para ela, e tal só foi possível graças à sua extrema criatividade, generosa dedicação e enorme paciência para aturar o meu vincado amadorismo no que aos referidos itens diz respeito. Um grande bem-haja Fiju.
A principal motivação para eu tentar desenvolver um blog foi a necessidade de manter a massa encefálica activa, e tentar partilhar a minha condicionada, corrompida, mas consciente visão do mundo em que vivemos, e da sociedade que estamos a legar aos nossos filhos, e consequentemente obter algum feedback da vossa parte e quem sabe aprender bastante convosco, como por certo acontecerá.
Não elevarei muito a fasquia no que ao número de visitantes diz respeito, mas anseio que qualquer leitor ou pára-quedista do meu blog não sinta uma enorme urgência em verter pela via aérea a sua última refeição, caso isso não suceda é uma pequena vitória para mim.
Enquanto não escrevo um artigo novo recomendo que visitem o blog da Fiju, o qual me foi apresentado à 23 meses (como o tempo voa) pela própria e onde passei bons momentos de entretenimento, outros momentos de pura reflexão potenciada pelo seu apurado espírito crítico, mas basicamente merece ser visitado visto tratar-se de um blog genial escrito por uma pessoa divinal, a mais evoluída que tive a honra de conhecer.